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CONCEITO
MÚSICA - FOLCLORE (FOLK-LORE) e CANTO CORAL.

CONCEITO MÚSICA
A arte das musas; “arte e ciência de combinar os sons de maneira agradável ao ouvido”.
(peq. Dic.); Fernando Lopes da Graça (Reflexões sobre música) dá uma definição pormenorizada: “A música é uma manifestação artística (supõe-se compreendido intuitivam. O que se entende por manifestação artística), que tem por base objetiva a sensação acústica por material uma seleção e ordenação matemática dos sons, por condição ou meio a sucessão no tempo, por substrato formal uma certa dialética sui generis, por determinante psicológica irredutível uma necessidade de movimento (ação interna), por fim a manifestação última tanto para a expressão estilizada de sentimentos e emoções, como o jogo gratuito dos sons, ritmos e timbres”. Fonte: Dicionário Musical de Frei Pedro Zinzig, livraria kosmos editora, 1976.
Muitos usam simplificar as palavras acima da seguinte maneira: Música é a arte de manifestar os sentimentos de nossa alma através de sons.


  • CONCEITO FOLCLORE

    "...o desconhecimento dos progressos das ciências antropológicas. Realmente, em fins do século passado e começos do atual, o folk-lore, como aliás a chamada etnografia, eram considerados disciplinas pitorescas, que tratavam de fatos curiosos ou exóticos. Isto foi a conseqüência do erro de visão do homem da cultura ocidentalóide, que se julgou colocado no topo de uma escala de valores e padecia de um defeito de método que hoje chamamos de etnocentrismo. TUDO O QUE NÃO PERTENCE À SUA RAÇA, À SUA CULTURA, À SUA CLASSE, À SUA CASTA, LHE PARECIA ESTRANHO, ESQUISITO OU DIGNO DE UMA CURIOSIDADE BENÉVOLA".

    DOIS CONCEITOS GERAIS PARA O FOLK-LORE

    Primeiro:
    Folk-lore é a ciência das tradições populares no seio dos povos civilizados (Sébillot, Saintyves), abrangendo a "literatura tradicional" e a "etnografia popular" (Sélbillot);

    Segundo:
    Folk-lore é uma divisão da Antropologia cultural que estuda aqueles aspectos da cultura de qualquer povo, que dizem respeito à literatura tradicional: mitos, contos, fábulas, advinhas, música, e poesia, provérbios, sabedoria tradicional e anônima.
    Se o primeiro desses conceitos é o dos Folk-loristas clássicos, o segundo parece mais consentâneo com o desenvolvimento atual da Antropologia, de que o Folk-lore constitui uma das divisões mais importantes e cheias de interesse. Folk-lore está para a Antropologia cultural na mesma situação que a lingüistica, a arqueologia, e outras subdivisões que estudam os vários aspectos da cultura.
    É preciso que o Folk-lore não seja confundido com Etnologia, ou com a etnografia, disciplina, esta última, descritiva da cultura. O Folk-lore, embora com seus métodos próprios e seus objetivos definidos, deve sempre acolher-se à sombra larga da Antropologia, a verdadeira ciência do homem, nos seus quadros naturais e culturais.
    Quando há formas ergológicas a estudar, estas só se tornam Folk-lore se ligadas aos meios tradicionais de vida, aglutinadas a um corpus de tradição ou de filosofia costumeira.
    Um último aspecto __ last, not least ___ a considerar, é o do significado funcional do Folk-lore. Ele não deve ser separado do conjunto da cultura de que é um dos elementos. E por isso não é recomendável a sua coleta, quando feita separadamente do conjunto cultural de que é parte funcional. A tarefa de coleta do material Folk-lorico deve ser acompanhada de outros dados que permitam uma visão da cultura total a que o Folk-lore pertence. Ou que, pelo menos, seja dada uma idéia geral do conteúdo da cultura regional, ou da comunidade, onde foi colhido o material Folk-lorico.
    (Arthur Ramos ESTUDOS DE FOLK-LORE Livraria - Editora da casa do estudante do Brasil.

    Capítulos do Livro de Arthur Ramos ESTUDOS DE FOLK-LORE
    Definições e limites do Folk-lore
    O mito e o conto popular: as antigas teorias mitográfica
    As teorias filológicas e alegóricas
    As teorias físicas e astronômicas
    As teses históricas e difunsionistas: a teoria indiana
    As teorias Antropológicas: os evolucionistas
    As teses ritualistas e litúrgicas
    As teorias psicanalistas.

    A palavra Folk-lore surgiu pela primeira vez no número de 22 de agosto de 1846, no jornal The Athenaeum, de Londres.
    (Arthur Ramos ESTUDOS DE FOLK-LORE Livraria - Editora da casa do estudante do Brasil p 14)

    Nenhum termo tem sido mais empregado e nenhum conceito bem definido que o folk-lore. A sua clientela é vasta e heterogênea: é recrutada entre cronistas de rádio, críticos, literários, amadores de arte, antiquários, musicólogos, (que muitas vezes referem à música popular como folk-lore) , gramáticos e filólogos, poetas, professores...
    E por isso mesmo, a exata definição desta hoje disciplina tem oscilado ao gosto disparatado de afeiçoados tão diversos. A história da criação do termo e da ciência folk-lore é bem conhecida dos estudiosos do assunto. Ela é contada aqui mais de uma vez para se provar a evolução de conceito de uma disciplina, cujas fronteiras, até hoje, ainda estão mal definidas. No domínio das ciências sociais, para só citar um exemplo , ainda não se conhece o limite preciso entre a sociologia e a psicologia social, ... o objetivo principal do folk-lore nos primeiros tempos de sua criação como disciplina autônoma era mais propriamente a literatura não-escrita das socieda-des adiantadas. ...A coleta e estudo dos "contos populares", "dos contos de fada", constituíram assim os primeiros e mais importantes objetivos do folk-lore. ... o folk-lore foi se alargando nos seus objetivos. Interessou-se pela lingüística e passou a estudar a origem das expressões pro-verbiais, AS CANÇÕES, as advinhas e fórmulas populares, as superstições.
    Em 1885,, no seu livro folk-lore, assim definiu o conde de Puymaigre a nova ciência: "folk-lore compreende nas suas oito letras, as poesias populares, as tradições, os contos, as legendas, as crenças, as superstições, os usos, as adivinhas, os provérbios, enfim tudo o que concerne à nações, seu passado, sua vida, suas opiniões.
    ... "O folk-lore é a ciência de tradição entre os povos civilizados e principalmente nos meios po-pulares.
    ...o desconhecimento dos progressos das ciências antropológicas. Realmente, em fins do sé-culo passado e começos do atual, o folk-lore, como aliás a chamada etnografia, eram conside-rados disciplinas pitorescas, que tratavam de fatos curiosos ou exóticos. Isto foi a conseqüên-cia do erro de visão do homem da cultura ocidentalóide, que se julgou colocado no topo de uma escala de valores e padecia de um defeito de método que hoje chamamos de etnocen-trismo. Tudo o que não pertence à sua raça, à sua cultura, à sua classe, à sua casta, lhe pare-cia estranho, esquisito ou digno de uma curiosidade benévola.

    Arthur Ramos ESTUDOS DE FOLK-LORE Livraria - Editora da casa do estudante do Brasil.

    Conjunto das manifestações da cultura tradicional de uma nação, surgidas de forma espontânea e à revelia da cultura oficial. Por extensão, disciplina encarregada de seu estudo.
    Os jograis e rapsodos que perambulavam pelos castelos e aldeias medievais narravam episó-dios guerreiros ou idílios e casamentos, em toadas e canções acompanhadas de instrumentos muito simples. Algumas dessas canções impregnaram o sentimento popular e passaram a constituir uma viva manifestação da cultura e do folclore.
    Criada e aceita coletivamente, a música folclórica traduz idéias e sentimentos comuns de um povo ou de um grupo e se transmite por tradição oral. Suas principais fontes são os fenômenos rituais ou lúdicos (jogos), ou a comunicação de fatos e notícias. As composições, anônimas, divulgam-se e se repetem, e assim se transformam e apresentam aspectos novos, adaptados a uma comunidade, até converter-se em patrimônio comum de um grupo social.
    Características formais. As composições de música folclórica não diferem essencialmente das composições da música erudita quanto aos aspectos técnicos, pois podem utilizar idênticos ri-mos, escalas e estruturas. Falta, no entanto, à música folclórica, a notação escrita, o que a torna especialmente suscetível a modificações e à apropriação pela coletividade. Episódios épicos ou amorosos, cantados em forma de balada, constituem a maior parte do repertório, enriquecido com canções de trabalho, canções que acompanham jogos e celebrações e as que se relacionam com o ciclo agrícola anual, freqüentemente associadas à dança. O padrão mais comum é o das estrofes de poucos versos com rima livre, que se repetem estruturalmente ao longo da canção. A música é freqüentemente monofônica, isto é, de melodia única e não harmonizada, mas há obras que apresentam outras linhas melódicas sobre a voz principal, assim como estruturas harmônicas.
    As obras folclóricas utilizam mais freqüentemente instrumentos como flauta, alaúde, violão e instrumentos de percussão. Por influência da música orquestral, a partir do século XIX, foram adotados também violinos, clarinetes, harpas, harmônios e outros. O ritmo e a métrica da música folclórica estabelecem uma relação estreita com o verso empregado: a melodia se ajusta à letra ou, pelo contrário, as palavras parecem escolhidas mais pela sonoridade que pelo sentido. Na Europa ocidental e na América, cada sílaba corresponde a uma nota, numa distribuição estrófica mais ou menos simétrica. O folclore balcânico -- iugoslavo, romeno, húngaro -- é rico em melismas, figuras métricas em que uma sílaba se prolonga sobre várias notas sucessivas. A música folclórica oriental, a da península ibérica (flamenco) e a dos Balcãs são ricas em passagens musicais sem medidas rígidas, em que a voz ou o instrumento se perdem em inflexões e ornamentos melódicos.
    As escalas são relativamente simples, às vezes de duas ou três notas. A escala pentatônica ou de cinco notas é própria da música oriental e de boa parte da música européia, que também emprega a escala diatônica usual, de sete notas, elaborada a partir dos modos gregos. Outras escalas de origem diversa são usadas, por exemplo, no primitivo flamenco espanhol e na música negra dos Estados Unidos, o spiritual, derivado dos antigos cânticos escravos.
    Instrumentos e estilos. Apesar da grande variedade dos instrumentos da música folclórica nas diferentes culturas, é possível estabelecer uma classificação deles em grupos. Assim, um primeiro grupo se compõe dos instrumentos fabricados pelos povos primitivos, não raro com outras finalidades além da musical. Assim ocorreu com os cornos de caça e os tambores de guerra ou de cerimônias rituais. Os povos primitivos fabricavam apitos de folhas de árvores, flautas de bambu e caixas de ressonância dos ossos de suas presas. Tomando como ponto de referência as sociedades tribais conhecidas, pode-se afirmar que a percussão desempenhava papel predominante nas antigas culturas.
    Um segundo grupo se constituiu no mundo ocidental com a chegada de instrumentos procedentes de regiões remotas, sobretudo asiáticas, entre eles, os banjos, xilofones, gaitas e antigos instrumentos de cordas que deram origem aos primeiros violinos. Finalmente, a cultura urbana que se desenvolveu desde a época da Renascença legou aos conjuntos folclóricos grande variedade de instrumentos próprios da música erudita ou popular: violões, clarinetes, violas, violinos, contrabaixos etc. Surgiram desse modo os instrumentos que se tornaram característicos da música folclórica de cada país: a balalaica, similar ao alaúde, no folclore russo; a gaita dos povos europeus de origem céltica; as flautas de barro enraizadas no folclore pré-colombiano dos países latino-americanos; e a flauta balcânica, composta de tubos justapostos. Entre os instrumentos de percussão são exemplos notáveis a marimba centro-americana, o pandeiro espanhol e o címbalo húngaro, semelhante ao cravo.
    Os estilos das canções folclóricas, de grande diversidade, têm gerado controvérsias no tocante a possíveis classificações. Segundo o compositor húngaro Béla Bartók, profundo conhecedor do folclore musical de diversos povos, existem duas modalidades de expressão: o parlando rubato, baseado em padrões que admitem ornamentos melódicos mais livres da parte do intérprete, e o tempo giusto, que segue de modo rígido os esquemas rítmicos preestabelecidos.
    Relação com outros tipos de música. O apogeu do pensamento humanístico na Europa contemporânea, o renascimento das ciências históricas e antropológicas e a apreciação da arte como atividade superior do intelecto chamaram a atenção para o valor das manifestações criativas nas diferentes sociedades humanas da antigüidade ao presente. A música folclórica passou a atrair o interesse de pesquisadores, músicos e escritores e tornou-se mesmo objeto de estudo sistemático.
    Em muitas composições eruditas transparecem os padrões, estrutura ou melodias do folclore da terra natal do compositor. Tal efeito foi deliberadamente procurado durante o século XIX com o surgimento das escolas nacionalistas de música, que pesquisaram as raízes populares para criar novos modos de expressão ou novos estilos. Canções populares foram recriadas, ou serviram como base rítmica de elaboradas e grandes obras orquestrais de autores célebres como Chopin, Albéniz, Grieg e, posteriormente, Bartók, Manuel de Falla, Gershwin e Villa-Lobos.
    A relação entre a música dita popular e a folclórica é ainda mais estreita: ambos os termos não raro se confundem e chegam a identificar-se como conceitos análogos. A expressão "música popular" em geral se refere à música urbana, surgida nos últimos decênios, cuja transmissão se faz pelos meios de comunicação -- jornal, rádio, televisão. Os autores de melodias populares são conhecidos. Enquadram-se nesse gênero o jazz e o rock, o folk e o country america-nos, a chanson francesa, as baladas italianas, o samba, o tango etc.
    Música folclórica brasileira. O folclorista Câmara Cascudo dividiu em nove áreas as manifestações musicais folclóricas do Brasil: (1) a amazônica; (2) a da cantoria, do sertão nordestino, caracterizada pelos desafios, romances e louvações; (3) a do coco, no litoral nordestino, com predominância do coco e de sua variante, a embolada; (4) a dos autos, principalmente em Alagoas e Sergipe, com folguedos populares cantados e dançados, de origem ibérica, (chegança e fandango), negra (congos e quilombos), ameríndia (caboclinhos, caiapós) ou cabocla (bumba-meu-boi); (5) a do samba, da zona agrícola da Bahia até São Paulo, com núcleos isolados em outros pontos de maior influência negra, como Pernambuco (samba, jongo e cantos rituais da macumba e do candomblé); (6) a da moda de viola, de São Paulo para o centro e sul do país (canto a duas vozes paralelas acompanhado por viola); (7) a do fandango, no litoral dos estados sulinos (chimarrita, anu e quero-mana); (8) a gaúcha, na região dos pampas, extremo sul do país (desafios, ou cantos à porfia); e (9) a da modinha, nos centros urbanos mais antigos (choro).

    ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

    FOLCLORE II

    Existe grande variação no significado atribuído à palavra "folclore". Em seu sentido mais restrito, o termo é usado para designar lendas, provérbios, adivinhações e formas poéticas das chamadas classes incultas dos países civilizados. Corresponde, portanto, à literatura oral elaborada pelas camadas iletradas.
    Na verdade, é difícil restringir-se o conceito a essa acepção, pois a literatura oral dificilmente pode ser analisada (a não ser do ponto de vista puramente formal) independentemente dos costumes e das crenças que exprime. Por isso é mais comum que o termo designe também crenças, costumes e todo o conjunto de manifestações estéticas e intelectuais dessas camadas populares. Nessa segunda concepção, embora se reconheça que o folclore se baseia em elementos culturais os mais diversos, com artefatos, técnicas e cerimônias, etc., esses elementos são tomados, não em si mesmos, mas como veículos de crenças, sentimentos e representações. Tanto no sentido mais restrito como no mais amplo, a ênfase é colocada no conjunto de representações que, em sociedades estratificadas, caracteriza uma camada da população que não tem acesso pleno à cultura erudita.
    Ocorre mais raramente que a noção de folclore seja utilizada também para designar as representações próprias de sociedades primitivas ou tribais. Com esse sentido, é mais difundida entre antropólogos. A crítica a essa acepção se baseia no fato de que ela abandona a diferença que existe entre o modo de produção cultural de uma comunidade primitiva, que constitui em si uma sociedade completa, e aquele que é próprio de camadas iletradas inseridas numa sociedade de classes (da qual constituem os estratos inferiores). Nestas últimas existe uma dinâmica particular do processo de elaboração cultural, que resulta da comunicação com as classes superiores e do intercâmbio de elementos culturais com as camadas eruditas.
    Algumas vezes, o termo "folclore" adquire uma conotação extremamente ampla, abandonando a ênfase geralmente atribuída ao universo de representações, para confundir-se com a totalidade da cultura e da vida social. Essa concepção afasta-se do significado que a palavra tem para a maioria dos folcloristas. Para eles, tanto no plano da descrição quanto no da interpretação, sua disciplina constitui fundamentalmente uma matéria de cunho humanístico, semelhante à literatura comparada e ao estudo comparativo das religiões.
    O folclore brasileiro
    O folclore brasileiro oferece condição excepcionais para a observação das condições sociais que promovem seu desenvolvimento.
    Os aspectos dominantes do folclore brasileiro são de origem européia, pois os portugueses constituíram a camada socialmente dominante da população colonial. A influência indígena ou negra aumenta ou diminui conforme a região, de acordo com a importância relativa que cada uma dessas etnias assume no processo de colonização. Por outro lado, a transformação do modo de vida, decorrente da necessidade de adaptação ao novo ambiente, impedia a simples transplantação do folclore luso.
    Este, como a cultura popular européia em geral, resultara de um processo de sedimentação que decorreu durante séculos. Estava de tal modo associado às condições de vida da aldeia campesina que não poderia subsistir em condições tão diversas como as oferecidas pelo Brasil. em primeiro lugar, refletia toda uma ordenação do tempo, condicionada a variações climáticas e às técnicas de cultivo próprias da Europa. As festas populares — nas quais se executavam danças, folguedos, ritos propiciatórios e cantigas de trabalho — acompanhavam um ritmo agrícola associado às estações do ano. A divisão do espaço e sua associação a espíritos e entidades sobrenaturais estavam vinculadas ao tipo particular de oposição entre campo cultivado e floresta. A inversão das estações do ano europeu, o ritmo diverso do ano agrícola e a natureza diferente das plantas impediam que se reconstituísse o esquema anterior de representação do espaço e do tempo.
    Mais ainda, o folclore europeu (rural em grande parte) dependia de formas de sociabilidade, de relações de trabalho próprias da estrutura de aldeia, com sua concentração populacional, for-mas de divisão do trabalho, homogeneidade cultural e relativa indiferenciação social da população.
    No Brasil, ao contrário, as pessoas dispersam-se nos grandes espaços do interior ou concentram-se em unidades rigidamente estratificadas, de composição étnica diversa, como é o caso dos engenhos. Alterou-se, portanto, a própria natureza da vida social.
    Com os negros, o processo de desagregação do universo de representações foi necessariamente muito mais violento, pois, embora o ambiente geográfico brasileiro fosse mais semelhante ao africano que ao mais semelhante ao africano que ao europeu, a escravidão destruiu completamente o mundo tribal, ao mesmo tempo que dificultava o desenvolvimento de novas formas de sociabilidade espontânea. Além do mais, reuniu representantes das mais diversas culturas tribais (que, inclusive, não falavam a mesma língua de origem). Apenas em algumas cidades, onde, com o tempo, concentraram-se grandes massas de escravos e libertos, foi possível reunir grupos de origem semelhante, e, através do contato permanente com a África (importações de escravos), reconstituiu-se parte da cultura original, com a organização dos cultos africanos.
    Em relação à população indígena, a permanência do ambiente não foi suficiente para compensar a destruição da sociedade tribal. Subsistiram muitas das técnicas e dos produtos agrícolas, mas inseridos em novos modos de produção, e apenas algumas crenças relativas à flora, à fauna e aos acidentes geográficos foram conservadas, de forma fragmentária, e incorporadas ao novo folclore de formação.
    Fonte Dever de casa

    Escola de Música Éverlin


    FOLCLORE III
    Segundo Joaquim Ribeiro, o conjunto das canções, tradições e expressões populares duma região.
    Ameaçadas as tradições musicais do interior do Brasil pelo deslocamento de populações, marcha para o oeste, zona de guerra nordestina, batalha da borracha, rádio e cinema. a Escola de Música aprovou a 21-X-1943, a organização dum entro de Pesquisas Folclóricas, aparelhada para atividades extra escolares, a continuar o grande esforço do Departamento de Cultura da Municipalidade de São Paulo, então dirigida por Mário de Andrade que, de 1936 a 38, mandou gravar cerca de 200 discos em diversas partes do Brasil e conserva centenas de documentos notados em pautas por Camargo Guarniero, M Braunwieser e outros.
    Uma combinação com os Archives od American Folk Song, da Library od Congress, de Washington, permite viagens ao exterior; assim em 1942, foram gravados 18 discos em excur-são a Goiás; em 1943 75 discos no Ceará; outros em 1946 no Rio Grande do Sul.
    O programa... "A nossa arte musical é a mais rica e a mais original do continente... O brasileiro de hoje não é mais nem o silvícola rechaçado pelos colonizadores, nem o africano escravizado pelos nossos maiores, nem o português que nos trouxe a civilização e a unidade; mais do que uma fusão muito desproporcional e excessivamente literária e simplista entre os três coeficientes étnicos, ele é um fruto da terra e do meio na qual, em regra geral, não reconhecemos física e interiormente, nem o índio, nem o negro, nem o português, mas apenas, mesmo sendo ele negro, acaboclado ou branco puro, o homem brasil".
    Pelo Mundo do Som DICIONÁRIO MUSICAL, Frei Pedro Sinzig, Livraria Kosmos Editora p 263.

    Coral pesquisa

    Coral ou coro.
    A) Grupo de pessoas que cantam juntas. O Choros grego constava de 12 a 24 cantores que em determinada parte do palco (orquestra) dançavam em redor da Thymelle (al-tar), sob a direção de chorangos que os guiava pelo ruído dos sapatos.
    O canto rítmico que acompanhava a dança, e que sempre em uníssono, auxiliado pela cítara que tocava a mesma melodia. Os gêneros principais eram o parodos (canto de entrada), stasima (durante a ação), e aphodos (despedida). O canto não tomava parte na tragédia ou comédia, mas ficava como entidade que influía da ação dos atores.

    B) O s coros mais antigos do cristianismo cantavam igualmente só em uníssono ou em oitava. No decorrer dos séculos X a XII distinguia-se mais e mais entre as vozes agudas e baixas dos homens e dos meninos, para as partes diferentes do organum e discuntus:

    C) Distinguem-se, segundo a composição, coros de homens (a várias vozes), se senhoras (idem), de meninos, todos eles chamados, quando cantavam só, coros iguais; _ e cantos mistos. de homens e senhoras (ou meninos) juntos; _ o coro duplo costuma ser formado por dois coros mistos;
    D) Na igreja Católica, senhoras não podem exercer função de canto litúrgico. (do clero), pertinho do altar. Canto misto de homens e meninos são admitidos e bem vistos em todas as igrejas; Cantos mistos de homens e senhoras em muitas dioceses podem cantar a boa distancia do altar; em outras não; v. Mús. S. 1941, pg 155 e IV. Carta Pastoral de D. Jaime de Barros Câmara, Arc. do Rio de Janeiro N. 20.

    E) Chama-se também canto a comunidade religiosa ou o Cabido etc., que recita o Ofício Divino, embora não o cante.

    F) O lugar, onde se realizam as funções sacras, seja em frente, dos lados ou atrás do altar, lugar este chamado também de presbitério;

    G) em inúmeras igrejas, em particular no Brasil, o Ofício divino é cantado e rezado em um estrado acima da entrada, chamado igualmente Coral;

    H) dá-se ainda esse nome à composição musical destinada a ser cantada por um grupo de vozes.

    CORO A CAPPELLA OU CORO A SECO
    Sem acompanhamento instrumental. No Brasil: Orfeônico.
    Pelo Mundo do Som
    DICIONÁRIO MUSICAL - Frei Pedro Sinzig, O. F.M. Livraria Kosmos Editora - 1976

    Coral, música.
    Designação genérica da música composta para coros ou grupos de cantores. As peças podem ser executadas a capela ou com acompanhamento instrumental.

    Cantata.
    Composição para uma ou mais vozes, com acompanhamento. Em sentido restrito, peça sacra para uso litúrgico na Igreja Luterana.
    Ária ; Bach, Johann Sebastian
    v. tb. Canto

    Cantochão.
    Tipo de música vocal, masculina e eclesiástica, executada por coros ou em solo nas cerimônias católicas. Também chamada de canto gregoriano.


    Coral, música
    Interpretada por cerca de cinqüenta ou sessenta vozes nas abadias e capelas reais da Idade Média, a música coral viveu momentos de grandiosidade nos festivais Haendel realizados em Londres em meados do século XIX, quando grupos de até três mil cantores se apresentavam no palácio de Cristal.
    Música coral é o conjunto de composições para execução vocal compostas para serem cantadas por um número variável de vozes, sem acompanhamento instrumental (a capela) ou acompanhadas por instrumentos. O coro, conjunto de intérpretes da música coral, tem como objetivo principal atingir uma perfeita homogeneidade e equilíbrio quanto ao volume e timbre das vozes. Os coros podem ser mistos (formados por cantores de sexos e idades diferentes) ou constituídos apenas de vozes femininas, masculinas ou infantis. Não são indispensáveis, para o integrante do coro, dotes vocais excepcionais, mas sim afinação, senso rítmico, musicalidade e noções de solfejo. Normalmente, o coro se compõe de quatro vozes mistas: soprano, contralto, tenor e baixo.
    O repertório coral se compõe de peças cantadas em uníssono, à oitava, ou de composições polifônicas, com partes diferentes. Há obras para coros múltiplos, compostas para mais de um conjunto. No Brasil, o coro orfeônico é aquele que canta a capela.
    História. A função socializadora do canto coletivo, seja religioso ou profano, tem sido constante ao longo dos tempos. Desde a pré-história os homens cantavam em conjunto e encontravam nessa prática uma forma insuperável de integração em suas atividades sociais.
    A música da antigüidade se caracterizava pela presença de grandes massas corais que entoavam hinos religiosos, canções guerreiras e canções de trabalho. O canto gregoriano da Igreja Católica adotou coros em uníssono, ou à oitava, até o século X. As primeiras tentativas polifônicas ocorreram entre os séculos X e XIII, e nelas se distinguem os registros graves e agudos das vozes masculinas e infantis, para as diferentes partes do órgão ou do descanto.
    O grande repertório polifônico floresceu e atingiu o apogeu nos séculos XV e XVI. Os cantores deviam ser dotados de qualidades vocais excepcionais, dada a complexidade das peças que executavam. As grandes catedrais disputavam os cantores famosos e popularizaram as vozes dos castrati, que interpretavam as partes de tessitura elevada.
    Do início do cristianismo até o final do Renascimento, coube à música coral o papel de maior relevância na música sacra. O repertório profano teve seu auge na canção francesa e no madrigal italiano para quatro vozes mistas.
    Com o nascimento da harmonia tonal e a criação da ópera, produziu-se uma renovação na música coral. O coro passou a ser empregado na missa, na ópera e no oratório, gêneros que predominaram no sul da Europa, enquanto que nos países que aderiram ao protestantismo se desenvolveram a paixão e a cantata religiosa.
    No século XVIII, as academias e conservatórios acabaram com o monopólio religioso da música vocal de conjunto. Nos cem anos seguintes as associações corais regulares, às vezes de dimensões gigantescas, continuaram a se multiplicar. No século XX, o ressurgimento do repertório folclórico da tradição ocidental, harmonizado para várias vozes, e o aproveitamento de motivos africanos, asiáticos e ameríndios revalorizaram a música coral.
    Coral luterano. Mais especificamente, o termo coral aplica-se ao canto litúrgico alemão criado por Martinho Lutero no século XVI. O coral luterano assegurava a participação dos fiéis no culto por meio do canto comunitário. Um novo estilo, com a realização do baixo cifrado pelo órgão, acrescentou um discreto acompanhamento instrumental às vozes. Todas as capelas contratavam músicos de importância e mantinham corpos corrais estáveis.
    Alguns dos colaboradores e seguidores de Lutero, no século XVI, dedicaram-se à composição de peças corais com textos da Bíblia, inicialmente para execução em uníssono e depois com harmonizações para diferentes vozes. Dessa primeira fase da composição para coro são as obras de Johann Walther, Lukas Osiander e Ludwig Senfl. A música coral, no entanto, atingiu sua fase de esplendor com a obra de Bach, no século XVII. Daí em diante, outros grandes compositores consagraram seu talento criador à música coral. Os oratórios de Haendel e as peças de Berlioz, estas interpretadas por coros de até 500 vozes, são algumas das mais grandiosas composições no gênero.
    Cantata; Cantochão
    ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.


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